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BMW M5 V10 em drift vestido de táxi e um Lexus IS300 de 1000 cv (diz o dono): a época no Quebeque
Car Spotting4 min de leitura

BMW M5 V10 em drift vestido de táxi e um Lexus IS300 de 1000 cv (diz o dono): a época no Quebeque

Um esconde tudo, o outro não esconde nada. Um BMW M5 pintado de táxi, com luminoso no tejadilho, a rodar de lado no iCar com um V10 a gritar debaixo do capô. E um Lexus IS300 branco com ar de carro de família bem estimado que, segundo o dono, passa dos mil cavalos. Uma época no Quebeque, duas maneiras opostas de dar nas vistas.

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Em Lisboa, se um táxi entra de lado numa rotunda, há reclamação no livro amarelo. No Quebeque há um que existe só para isso: um BMW M5 V10 em drift, geração E60, pintado de amarelo táxi, luminoso no tejadilho, a desaparecer no próprio fumo. Na mesma época, num parque de estacionamento de Montreal, demos com o oposto: um Lexus IS300 branco, discreto, uma ponteira só, que o dono garante ter mais de 1000 cv. Um grita, o outro sussurra. É a cena do Quebeque em dois carros.

O táxi que só vai de lado: BMW M5 E60 no iCar

O táxi de drift BMW M5 E60 amarelo de frente para a câmara, faixa preta no capô, luminoso de táxi e fumo atrás
O táxi de drift BMW M5 E60 amarelo de frente para a câmara, faixa preta no capô, luminoso de táxi e fumo atrás

Amarelo táxi com faixa aos quadrados, DRIFT TOUR nas portas, faixa preta no capô, jantes brancas de muitos raios, autocolantes de patrocinadores no para-choques e o luminoso no tejadilho. As cores são da Drift Tours, que identificámos na nossa publicação. O trabalho de um táxi de drift é sentar alguém no lugar do pendura e mostrar-lhe como é ir de lado a sério. O palco é a grande placa de betão do iCar, um complexo de desporto motorizado em Mirabel, a norte de Montreal.

O M5 E60, produzido de 2005 a 2010, é a berlina mais desvairada que a BMW alguma vez vendeu. O S85 é um V10 de 5,0 litros com 507 PS e corte acima das 8000 rpm: ideias de Fórmula 1 metidas numa berlina executiva de cinco lugares. Marcámos o vídeo com #s85 e nada do que vimos o desmente, mas não abrimos o capô. Por isso, o motor fica como fama do carro, não como inspeção nossa.

O vídeo, segundo a segundo

O reel tem trinta segundos e junta vários momentos do dia: a meio, o céu passa de nublado a azul limpo. Nos primeiros cinco segundos o táxi vem junto aos rails vermelhos e brancos do lado de lá, já de lado. Aos seis segundos passa por nós de perfil, com fumo a sair dos pneus traseiros. Dos sete aos dezanove, um arco comprido no fundo da placa, junto a uma torre preta e às faixas cor-de-rosa dos patrocinadores. Aos vinte e dois aponta direto à câmara com o volante todo virado, e a partir dos vinte e quatro faz um pião até o fumo engolir o carro inteiro.

O táxi BMW M5 E60 Drift Tour de lado, pneus traseiros a fumegar, no iCar
O táxi BMW M5 E60 Drift Tour de lado, pneus traseiros a fumegar, no iCar

Na nossa legenda chamámos-lhe táxi de drift "double V10". Neste vídeo só aparece um M5 amarelo de cada vez, por isso dois não te conseguimos mostrar. O vídeo completo ainda vem aí. Ir de pendura é a melhor maneira de perceber o drift: em Ebisu, um Mark II Grande JZX110 fazia exatamente esse trabalho na nossa reportagem do D1 Grand Prix, e para o drift ao mais alto nível na América do Norte há a Formula DRIFT em Stafford 2026.

O sleeper do Epicure Classics: Lexus IS300 2JZ

Lexus IS300 branco de primeira geração (XE10) visto de trás no encontro de domingo do Epicure Classics, em Montreal
Lexus IS300 branco de primeira geração (XE10) visto de trás no encontro de domingo do Epicure Classics, em Montreal

Domingo de manhã, encontro do Epicure Classics. O nosso vídeo: catorze segundos, câmara fixa mesmo atrás do carro; só o som se mexe. Na tampa da mala, a inscrição Lexus e o emblema IS 300; os farolins redondos interiores são os de origem; um autocolante Fireball no topo do vidro traseiro e uma moldura BBS à volta da matrícula do Quebeque. Uma ponteira só espreita por baixo do lado direito do para-choques. À volta, o encontro segue: um carro vermelho à esquerda, uma berlina prateada de capô aberto à direita, malta de camisola com capuz junto à vedação e a cobertura de uma bomba de gasolina ao fundo. Bem podia ser um domingo de café à porta da bomba cá, não fosse a matrícula.

Ao ralenti chamámos "choppy", aos soluços. Sobe o volume e percebes porquê.

Porque é que o IS300 já traz 2JZ de fábrica

O IS300 norte-americano, produzido de 2001 a 2005 no chassis XE10, saía de fábrica com o 2JZ-GE: seis cilindros em linha, 3,0 litros, atmosférico, primo do 2JZ-GTE biturbo do Toyota Supra A80. A mesma família, o mesmo bloco de ferro famoso por aguentar tudo, tração traseira. É por isso que em qualquer encontro de preparações na América do Norte "2JZ" e "IS300" aparecem na mesma frase.

O que este tem agora lá dentro, que turbo, que cabeça, não sabemos e não vamos adivinhar. O dono chama-lhe uma preparação "mental" e anuncia mais de 1000 cv. Não o pusemos no banco de potência, por isso o número é dele, não nosso. Para veres o que um 2JZ faz quando alguém leva a coisa à séria, há o Soarer em carbono da AutoBahn com 900 PS.

Conclusão: o Quebeque gosta de extremos

A malta de Montreal não sai só no fim de semana do Grande Prémio, por muito que esse seja outra conversa: os carros do fim de semana de F1 de 2026. No resto do tempo há encontros em parques de estacionamento ao domingo de manhã e uma pista de drift logo a norte, em Mirabel. E os dois carros dizem o mesmo: o carro mais interessante do parque ou é o que parece mais banal, ou o que está pintado de táxi.

Vídeo: One Breath Pictures.

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